Follow by Email

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mais um sonho realizado...

Depois de alguns meses desaparecida, volto para explicar a vocês o porquê do meu desaparecimento e para retomar meu blog. (assim espero!)

O objetivo deste post não é apenas contar um pouco da minha história, mas também mostrar (principalmente aos que ainda estão na universidade ou que estão iniciando sua carreira profissional) que tudo é possível, basta a gente querer, e que a recompensa vem, e vem rápido, quando somos dedicados, esforçados e trabalhamos com paixão.

Para os que não lembram mais, cheguei no Chile em janeiro deste ano para fazer um intercâmbio em uma consultoria em inovação (na época chamada IGT). O objetivo do meu intercâmbio era ajudar a empresa a iniciar suas atividades no Brasil e, ao mesmo tempo, participar de projetos de consultoria. Havia a possibilidade de ser contratada, mas durante seis meses trabalhei sem saber se continuaria ou não na empresa.

O que aconteceu é que me apaixonei pela empresa! (para os que não leram, escrevi um post sobre isso em fevereiro: Aprendi que...). Até fiquei com receio de que seria apenas motivação inicial... mas não! Continuo apaixonada!

Antes de explicar porque sou apaixonada pela empresa, vou fazer um resumo da minha vida e das pessoas que foram apoio fundamental em cada momento, o que ajudará a explicar porque estou tão feliz e realizada. (E tenho certeza de que muitos de vocês vão ler e dizer em alguns momentos: "Poxa, eu também passei/passo por isso!")

1. Estudei a vida inteira em escola pública municipal e no Ensino Médio estudei em escola particular, mas como era um colégio da empresa onde meu pai trabalhava não pagava mensalidade; o ensino era bom, mas não exemplar porque todos os alunos do noturno haviam estudado em escolas públicas antes e eram filhos de funcionários. (apoio fundamental: professor Cinalli no Ensino Fundamental e professor Mário no Ensino Médio);
2. Desde os 13, 14 anos de idade eu dizia a todos que ia estudar em uma universidade pública, junto com a minha querida amiga Liane, e muitos não acreditavam. Alguns riam da minha cara, outros falavam que teria que pagar pra passar, outros que eu não era capaz... e por aí vai. (apoio fundamental: família);
3. Comecei a estudar inglês com 10 anos de idade e continuei por mais 8 anos, conseguindo obter no final um certificado de inglês avançado da Universidade de Cambridge, Inglaterra. (apoio fundamental: família);
4. Fiz seis meses de cursinho ainda no Ensino Médio e não passei em nenhuma universidade. Fiz mais um ano de cursinho, praticamente não tive vida por um ano (porque tive que recuperar tudo que não aprendi na escola) e consegui passar em 3º lugar na USP, em 4º na UNESP e na 2ª chamada na UNICAMP. (apoio fundamental: família e professor Mário);
5. Escolhi a FEA-RP/USP para estudar Economia e logo de cara entrei na Jr. FEA (empresa júnior de consultoria da Faculdade). Depois de alguns meses, o Porto me selecionou para fazer parte da fundação da AIESEC em Ribeirão Preto (organização mundial de estudantes que realiza intercâmbio e prepara os líderes do futuro da nossa humanidade). A empresa júnior não me satisfez profissionalmente e decidi focar na AIESEC;
6. Na AIESEC foi onde cresci como pessoa e como profissional, foi onde conheci as pessoas mais importantes para a minha nova etapa da vida, pessoas que até hoje são amigos e muito queridos. Criei uma área nova que não existia (Projetos) e não vou dizer que foi um fracasso total, mas não teve os resultados que eu esperava. E eu me desesperei... muito. Cheguei a chorar várias vezes porque achava que não era capaz de liderar, de fazer algo acontecer de verdade, que impactasse a vida das pessoas. E nessa hora tive muito apoio de pessoas que me fizeram enxergar que os fracassos fazem parte e que são importantes para que tenha sucesso depois. Fiquei 2 anos e meio trabalhando pela AIESEC, tive cargo nacional e terminei o primeiro projeto que realizamos (Social Bonders, que por muito tempo foi considerado o melhor projeto do Brasil) com chave de ouro! (apoio fundamental: Diretoria da AIESEC e namorado);
7. Entrei para trabalhar em um banco, na área de Gestão de Riscos, e fui responsável por criar a área na empresa. Tive um chefe extraordinário, o Thiago, e conheci uma pessoa muito querida, a Cris. Foi minha primeira experiência de trabalho e foi intensa e prazerosa, mas nesse momento da vida tive duas certezas: primeira, que não gosto de viver com rotina e que queria trabalhar em um lugar onde eu realmente poderia fazer a diferença; e segundo, que a Faculdade não nos ensina o conhecimento prático de finanças que precisamos para chegar mais preparados ao mercado de trabalho;
8. Com o banco tive a ideia de criar o Clube de Mercado Financeiro (CMF), uma entidade que aproximaria mais as empresas do setor com a Faculdade, levando assim o conhecimento prático aos alunos antes dos mesmos saírem para o mercado de trabalho. Com mais de 100 pessoas na palestra de apresentação da proposta de criar o CMF e com mais de 40 inscritos no primeiro processo seletivo, construímos uma das entidades mais promissoras da FEA! (apoio fundamental: namorado e fundadores do CMF)
9. Desisti de trabalhar no banco por diversos motivos, dentre eles porque queria me dedicar ao CMF como Presidente, à Faculdade (para fazer intercâmbio em 2010, ainda sem se formar, e ficar só com a monografia para ser entregue em 2010... para isso tive que fazer todas as disciplinas optativas durante os 4 anos fora do horário normal de aula) e porque já não estava feliz no trabalho e não gosto de trabalhar sem estar motivada e feliz. Minha família não me apoiou muito por motivos financeiros, e por estarem distantes da minha rotina não tinham muita ideia do que o CMF e a AIESEC realmente representavam. Consegui um emprego temporário como tradutora de relatórios de investimentos para um banco brasileiro e isso me manteve por alguns meses e pagou meu intercâmbio. (apoio fundamental: namorado)
10. No meio do caminho passei quase 1 mês na Inglaterra, Irlanda e Escócia. Fui a Manchester apresentar um artigo acadêmico em uma conferência internacional (desde o início da Faculdade também fiz pesquisa com o professor Sig, atual Diretor da FEA, e fui com ele ao congresso). Parte dos gastos da viagem paguei com o dinheiro que havia guardado e com apoio familiar e ainda consegui, com muito sacrifício, um apoio financeiro de 4.000 reais da Faculdade para a passagem de avião e inscrição no congresso (a USP estava em greve e quase perco o recurso, fui atrás até conseguir pegar o cheque com eles um dia antes da viagem... burocracias, pra variar...). Agora, esse ano, o artigo que apresentei foi publicado na revista britânica Journal of Co-operative Studies e me senti muito realizada!
11. Consegui meu intercâmbio e vim para o Chile. Deixei uma vaga de uma empresa multinacional parceira de intercâmbio da AIESEC para tentar a vaga do Chile sem ter certeza se conseguiria ou não, e aqui estou! (apoio fundamental: namorado e família) E uma parte da história vocês já sabem... 


O que tem de novo é que fui contratada em julho para ser uma das responsáveis a abrir as portas da empresa no Brasil! O que isso significa? Que aos 23 anos de idade, ainda não formada: 

  • Estou com um salário no mesmo nível dos melhores programas de trainees do Brasil;
  • Tenho um notebook da empresa, um celular da empresa e outros excelentes benefícios;
  • Participei e participo ativamente de todo o planejamento estratégico de entrada da empresa no Brasil (avaliação econômica, oportunidades de mercado, questões jurídicas e legais, contato com empresas brasileiras, etc);
  • Participei de dois projetos de inovação, um em uma multinacional e totalmente inovador, onde tivemos que criar algo totalmente novo e que, no final, superou as expectativas da empresa e foi um sucesso!
  • Faço reuniões com a Diretoria e Presidência de grandes empresas nacionais, internacionais, brasileiras, tendo contato direto com eles;
  • Estou criando uma rede de networking imensurável!
  • Participei da mudança corporativa da empresa, que hoje é INNSPIRAL Moves (faz parte da mais nova holding INNSPIRAL) e que já não faz mais consultoria, e sim inovação. Vamos até as empresas e não entregamos apenas um relatório, mas também colocamos a "mão na massa" e empreendemos junto com eles (algo simplesmente NOTABLE, como falamos em espanhol!);
  • Estou em uma empresa onde as pessoas são valorizadas, onde não há horário fixo, você escuta música, come, conversa, muda de sala, tem acesso a todas as redes sociais e tem metas de Tweets e de contatos no LinkedIn, por exemplo;
  • Tenho que opinar sempre e participar ativamente das mudanças constantes que temos nas metodologias, propostas, atividades da empresa;
  • Tenho capacitações sobre todos os temas possíveis e imagináveis (design, comunicação efetiva com atores, etc);
  • Vou assumir um cargo de grande responsabilidade no curto prazo ao abrir a empresa no Brasil e vou crescer profissionalmente de uma forma absurdamente rápida;
  • E, não menos importante, admiro profundamente o Presidente da INNSPIRAL, o Sr. Iván Vera. Ele me motiva em qualquer conversa, seja um bate-papo no corredor ou uma reunião de negócios.

É claro que ver os resultados de todos esses anos de esforço e preparação é bom, mas o que a grande maioria das pessoas muitas vezes não vê é o esforço que fazemos para conseguir alcançar nosso sonhos e ser felizes naquilo que fazemos. Se vocês me perguntam "Foi fácil?" Vou dizer sem nenhum medo "Não, não foi fácil, nem um pouco...". Abri mão de estar perto da minha família, não estou vendo meu afilhado crescer, não estive sempre junto das pessoas fundamentais da minha vida e não estarei por algum tempo mais, chorei várias vezes em momentos que ninguém me entendia ou não me compreendia, me desesperei em alguns momentos, encontrei forças em outros, me perguntei várias vezes (e continuo me perguntando quando o desespero bate mais forte) se realmente vale a pena ou não...

Mas, em resumo, a resposta é "Sim, vale a pena!"

Tudo na vida tem um sentido e um porquê, que muitas vezes só entendemos depois que já passou porque na hora não queremos ou não temos forças suficientes para entender. A vida é curta, e se você quer chegar aos 50 anos de idade e se sentir feliz por tudo que construiu durante a sua vida, todos os lugares que visitou, todas as pessoas que conheceu... não perca tempo! Não tenha medo! Apoio é fundamental, mesmo que as pessoas em quem você confia e precisa da ajuda não te entendam 100% elas vão te levantar no momento em que mais precisar, vão te apoiar e fazer você seguir em diante, mesmo sem saber se realmente dará certo. E assim é que construímos a nossa vida e a nossa história.

Espero que tenha sido útil para todas as pessoas que têm dúvidas ou medos sobre seus planos. Espero que cada dia que passe mais pessoas sejam capazes de se arriscar e construir o seu caminho visando ser feliz e se satisfazer profissional e pessoalmente. Espero que você seja simplesmente você, e lute por isso.

Não há maior recompensa que ver pessoas motivadas com a sua ajuda e agradecendo pelo bem que fez a elas. A vida é feita de pessoas e são elas a chave do sucesso para qualquer grande realização pessoal ou profissional.